Hastelloy C-276

O revestimento de Hastelloy C-276 é uma solução à base de níquel, cromo e molibdênio indicada para componentes industriais submetidos a ambientes corrosivos severos, especialmente quando há presença de cloretos, ácidos e outros agentes químicos agressivos.

Na Rijeza, o Hastelloy C-276 pode ser aplicado pelos processos HVOF, PTA e Laser Cladding, permitindo adequar o revestimento às condições de operação, geometria da peça, substrato e espessura de camada necessária.

Diferentemente de revestimentos especificados principalmente pela dureza ou resistência à abrasão, o C-276 deve ser selecionado principalmente pela sua resistência à corrosão.

Principais características do revestimento Hastelloy C-276 na Rijeza:

  • liga de níquel-cromo-molibdênio resistente à corrosão severa;
  • aplicação por HVOF, PTA ou Laser Cladding;
  • dureza média medida de aproximadamente 400 HV0,3, dependendo das condições de deposição;
  • aderência elevada no processo HVOF;
  • baixa porosidade;
  • possibilidade de revestimento com ligação metalúrgica por PTA e Laser Cladding;
  • indicado para aplicações envolvendo cloretos e diferentes meios ácidos.

O que é o Hastelloy C-276?

O Hastelloy C-276, UNS N10276, é uma liga de níquel-cromo-molibdênio com adição de tungstênio desenvolvida para trabalhar em uma ampla variedade de ambientes altamente corrosivos.

Sua composição nominal contém aproximadamente 57% de níquel, 16% de cromo, 16% de molibdênio e 4% de tungstênio.

Essa combinação química proporciona elevada resistência à corrosão em diversos ambientes industriais agressivos.

Quando utilizado como revestimento, o objetivo é transferir essas características para a superfície do componente sem necessariamente fabricar toda a peça em uma liga de alto custo.

Para que serve o revestimento de Hastelloy C-276?

O revestimento C-276 é utilizado principalmente para proteger superfícies metálicas expostas à corrosão química severa.

Pode ser considerado em equipamentos e componentes sujeitos a ambientes contendo, conforme concentração, temperatura e demais condições operacionais:

  • cloretos;
  • ácido sulfúrico;
  • ácido fosfórico;
  • meios químicos agressivos;
  • ambientes simultaneamente corrosivos e termicamente severos;
  • condições em que a corrosão localizada representa risco para a integridade da peça.

A especificação não deve ser feita apenas pela identificação do agente químico.

Concentração, temperatura, contaminantes, estado de oxidação do meio, velocidade do fluido, substrato e geometria do componente também precisam ser considerados.

Por isso, a seleção do C-276 deve partir da análise do ambiente real de operação.

Hastelloy C-276 não é especificado principalmente pela dureza

Uma característica importante na especificação do C-276 é compreender que dureza não é sua principal propriedade de seleção.

Em ensaios realizados pela Rijeza, revestimentos de Hastelloy C-276 apresentaram dureza média 400 HV0,3.

Esse valor caracteriza o revestimento produzido nas condições avaliadas, mas não deve ser interpretado como o principal critério para escolher a liga.

O C-276 é normalmente selecionado quando a necessidade predominante é a resistência à corrosão em ambientes de alta severidade química.

Se o mecanismo predominante de falha for abrasão severa, erosão ou desgaste mecânico, outras famílias de revestimentos podem apresentar desempenho mais adequado.

A escolha deve partir do mecanismo real de degradação do componente.

Hastelloy C-276 aplicado por HVOF

O HVOF – High Velocity Oxygen Fuel permite depositar o Hastelloy C-276 como uma camada de baixa porosidade e elevada aderência, com reduzido aporte térmico ao componente quando comparado a processos de revestimento por fusão.

Essa característica pode ser importante para componentes nos quais se deseja preservar o substrato ou limitar alterações térmicas. Além disso, nesse método é possível aplicar camadas mais finas, de rápida aplicação e menor custo.

Resultados obtidos pela Rijeza com Hastelloy C-276 por HVOF

Nos ensaios realizados pela Rijeza, foram obtidos os seguintes resultados:

Aderência

Especificação utilizada pela Rijeza:

> 70 MPa

Resultado obtido em ensaio:

82 MPa

Porosidade

Especificação utilizada:

< 2%

Resultado medido:

< 1%

Esses valores representam resultados obtidos em condições específicas de processamento e ensaio da Rijeza e não devem ser interpretados isoladamente como propriedades universais de qualquer revestimento de Hastelloy C-276.

O desempenho final depende do substrato, preparação superficial, parâmetros de deposição, espessura, geometria e principalmente das condições de operação.

Hastelloy C-276 aplicado por PTA

O PTA – Plasma Transferred Arc deposita a liga por fusão, produzindo uma camada metalurgicamente ligada ao substrato.

Em comparação com um revestimento aspergido termicamente, o PTA pode ser particularmente interessante quando são necessárias:

  • camadas de maior espessura;
  • reconstrução de superfícies;
  • ligação metalúrgica com o substrato;
  • revestimento para serviços em meios com corrosão química severos;
  • combinação entre recuperação dimensional e proteção superficial.

No processo PTA empregado pela Rijeza, a porosidade do revestimento de C-276 é praticamente nula, característica associada à natureza fundida da camada depositada.

Como existe diluição entre revestimento e substrato, a composição da região depositada e os parâmetros do processo precisam ser controlados de acordo com a aplicação.

Hastelloy C-276 aplicado por Laser Cladding

O Laser Cladding também produz uma ligação metalúrgica entre o Hastelloy C-276 e o material de base, utilizando uma fonte de energia altamente concentrada.

O processo permite controle preciso da deposição com zona termicamente afetada muito pequena, sendo uma alternativa para componentes que exigem elevada qualidade superficial e controle do aporte térmico.

Entre suas características estão:

  • ligação metalúrgica com o substrato;
  • porosidade praticamente nula nas condições de processamento adequadas;
  • controle da geometria do depósito;
  • possibilidade de reconstrução localizada;
  • controle de diluição;
  • aplicação seletiva em regiões críticas da peça.

Na Rijeza, o Laser Cladding pode ser considerado quando a aplicação exige combinar a resistência à corrosão do C-276 com precisão de deposição e elevada integridade da camada.

HVOF, PTA ou Laser Cladding: qual processo utilizar para aplicar Hastelloy C-276?

Não existe um único processo ideal para todas as aplicações.

A escolha depende da condição do componente e do objetivo do revestimento.

HVOF

Pode ser priorizado quando se deseja uma camada aderente e de baixa porosidade, com menor influência térmica sobre o substrato.

Nos ensaios da Rijeza, foram alcançados 82 MPa de aderência e porosidade inferior a 1%.

PTA

Pode ser utilizado quando é necessária uma camada fundida, metalurgicamente ligada ao substrato, inclusive para maiores espessuras ou reconstrução da superfície.

A porosidade obtida no depósito é praticamente nula.

Laser Cladding

Pode ser priorizado quando, além da ligação metalúrgica, o componente exige maior controle da deposição, menor região termicamente afetada e precisão na aplicação da camada.

A porosidade também é praticamente nula nas condições adequadas de processamento.

A escolha entre HVOF, PTA e Laser Cladding deve considerar substrato, geometria, espessura necessária, tolerância dimensional, possibilidade de diluição, solicitação mecânica, temperatura e ambiente corrosivo.

Hastelloy C-276 ou Hastelloy C-22?

C-276 e C-22 pertencem à família das ligas de níquel-cromo-molibdênio resistentes à corrosão, porém apresentam diferenças de composição que podem alterar seu desempenho em determinados ambientes.

O Hastelloy C-22 possui maior teor de cromo, nominalmente próximo de 22%, enquanto o C-276 possui aproximadamente 16%.

O maior teor de cromo do C-22 aumenta sua resistência em diversos meios oxidantes e contribui para uma elevada resistência à corrosão localizada por pites e frestas em ambientes contendo cloretos.

Isso não significa que o C-22 seja automaticamente superior ao C-276 em qualquer aplicação.

O C-276 possui décadas de utilização industrial em uma ampla variedade de meios corrosivos, e a seleção entre as duas ligas depende da química do ambiente, concentração, temperatura, contaminantes e mecanismo de corrosão predominante.

C-276 ou C-22 não deve ser uma decisão baseada apenas em “qual liga é melhor”, mas em qual liga apresenta maior compatibilidade com a condição real de serviço.

Onde o revestimento de Hastelloy C-276 pode ser aplicado?

O revestimento pode ser avaliado para diferentes componentes de processamento químico e equipamentos sujeitos a corrosão severa, como:

  • válvulas;
  • hastes;
  • eixos;
  • rotores;
  • sedes;
  • componentes de bombas;
  • componentes de reatores;
  • componentes de misturadores;
  • superfícies de equipamentos químicos;
  • peças expostas a cloretos;
  • componentes em contato com soluções ácidas;
  • regiões de equipamentos que apresentam corrosão localizada ou perda progressiva de material.

A indicação depende sempre da análise da condição de serviço e do material de base.

Por que revestir com C-276 em vez de fabricar toda a peça nessa liga?

Em determinadas aplicações, o problema está concentrado apenas na superfície em contato com o ambiente corrosivo.

Nesses casos, fabricar todo o componente em uma liga de níquel de alto desempenho pode não ser necessário.

O revestimento permite utilizar um material estrutural adequado no corpo da peça e aplicar C-276 apenas na região que precisa resistir ao ambiente corrosivo.

Essa estratégia pode permitir:

  • recuperar componentes existentes;
  • proteger apenas superfícies críticas;
  • reduzir o consumo de liga nobre;
  • aumentar a vida útil de componentes;
  • adaptar peças existentes a condições de serviço mais severas.

A viabilidade econômica depende da geometria, dimensão, processo selecionado, preparação necessária e consequência da falha do componente.

Como a Rijeza especifica um revestimento de Hastelloy C-276?

A especificação não começa escolhendo simplesmente a liga.

Antes de definir material e processo de aplicação, é necessário compreender por que a superfície está falhando.

A análise pode considerar:

  • composição química do meio;
  • concentração dos agentes corrosivos;
  • presença de cloretos;
  • pH;
  • temperatura de operação;
  • pressão;
  • velocidade do fluido;
  • presença de sólidos;
  • possibilidade de erosão-corrosão;
  • material do substrato;
  • histórico de falhas;
  • geometria;
  • espessura disponível para revestimento;
  • necessidade de acabamento ou usinagem;
  • regiões efetivamente atacadas.

A partir desse conjunto de informações é possível avaliar se o C-276 é adequado e se a aplicação deve ocorrer por HVOF, PTA ou Laser Cladding.

Quando o Hastelloy C-276 pode não ser a melhor solução?

Uma liga tecnicamente sofisticada não é necessariamente a melhor escolha para todo problema de superfície.

O C-276 deve ser reavaliado quando:

  • o mecanismo dominante é abrasão e não corrosão;
  • há impacto mecânico severo;
  • a química do ambiente favorece outra liga;
  • a temperatura ou concentração química muda significativamente em relação à condição considerada;
  • o substrato apresenta incompatibilidade com o processo selecionado;
  • outra solução oferece desempenho suficiente com melhor relação técnico-econômica.

O primeiro passo é identificar corretamente o mecanismo de falha.

Avaliação técnica de revestimentos em Hastelloy C-276

Se um componente apresenta corrosão prematura, ataque químico, perda de espessura ou falha recorrente em ambiente severo, a Rijeza pode avaliar o componente e as condições de operação antes de definir o revestimento.

A análise permite verificar:

1. se o Hastelloy C-276 é adequado ao ambiente;
2. qual processo — HVOF, PTA ou Laser Cladding — é mais compatível com a peça;
3. quais critérios técnicos devem ser utilizados para especificar e controlar o revestimento.

Solicite uma avaliação técnica da sua aplicação

Envie informações sobre a peça, material, ambiente químico, temperatura, condição de operação e histórico de falha.

A Rijeza avaliará a condição da aplicação para definir uma alternativa tecnicamente defensável para a superfície.

Características

Dados técnicos do revestimento de Hastelloy C-276 na Rijeza

Liga: níquel-cromo-molibdênio-tungstênio
Designação: C-276 / UNS N10276
Principal finalidade: resistência à corrosão severa
Dureza média obtida: aproximadamente 400 HV0,3
Processos disponíveis: HVOF, PTA e Laser Cladding

HVOF

  • aderência especificada pela Rijeza: >70 MPa;
  • aderência obtida em ensaio: 82 MPa;
  • porosidade especificada: <2%;
  • porosidade obtida em ensaio: <1%.

PTA

  • ligação metalúrgica com o substrato;
  • porosidade praticamente nula nas condições adequadas de deposição.

Laser Cladding

  • ligação metalúrgica com o substrato;
  • porosidade praticamente nula nas condições adequadas de deposição;
  • elevado controle da região de deposição e da diluição.

Importante: os valores de dureza, aderência e porosidade apresentados como resultados da Rijeza correspondem às condições específicas dos processos e ensaios realizados. A especificação final deve considerar o componente e sua condição real de serviço.

Perguntas Frequentes

Questões mais frequentes relacionadas a este tipo de revestimento:

O que é revestimento de Hastelloy C-276?
É a aplicação de uma liga de níquel-cromo-molibdênio-tungstênio sobre a superfície de um componente com o objetivo principal de aumentar sua resistência a ambientes corrosivos severos.
Qual é a dureza do revestimento de Hastelloy C-276?
Nos ensaios realizados pela Rijeza, foi observada dureza média da ordem de 400 HV0,3. Entretanto, o C-276 não é uma liga selecionada principalmente pela dureza. Sua propriedade de maior interesse é a resistência à corrosão.
Qual é a porosidade do Hastelloy C-276 aplicado por HVOF?
A porosidade do revestimento aplicado por HVOF é inferior a 1%
Qual é a aderência do Hastelloy C-276 aplicado por HVOF?
A Rijeza especifica aderência superior a 70 MPa para essa condição de revestimento. Em ensaio realizado pela empresa foi atingido o valor de 82 MPa.
É possível aplicar Hastelloy C-276 por Laser Cladding?
Sim. A Rijeza aplica C-276 por Laser Cladding, produzindo uma camada com ligação metalúrgica ao substrato e porosidade praticamente nula nas condições adequadas de processamento.
É possível aplicar Hastelloy C-276 por PTA?
Sim. O processo PTA pode depositar C-276 por fusão e produzir uma camada metalurgicamente ligada ao substrato, com porosidade praticamente nula nas condições adequadas de deposição.
Hastelloy C-276 resiste a cloretos?
O C-276 apresenta elevada resistência em diversos ambientes contendo cloretos e pertence à família de ligas Ni-Cr-Mo desenvolvida para serviços corrosivos severos. Entretanto, concentração, temperatura, pH, contaminantes e demais condições precisam ser avaliados antes da especificação.
Hastelloy C-276 resiste a ácido sulfúrico?
O C-276 apresenta resistência a diferentes condições envolvendo ácido sulfúrico, mas seu desempenho depende fortemente da concentração, temperatura e composição completa do meio. A indicação deve ser feita para a condição real de operação.
Hastelloy C-276 resiste a ácido fosfórico?
A liga apresenta aplicações em ambientes envolvendo ácido fosfórico, porém concentração, temperatura e contaminantes podem alterar significativamente a taxa de corrosão. A condição precisa ser analisada antes da especificação.
Qual é melhor: Hastelloy C-276 ou C-22?
Não existe uma resposta universal. O C-22 possui maior teor de cromo e apresenta vantagens em determinados meios oxidantes e condições de corrosão localizada por cloretos. O C-276, por outro lado, possui histórico consolidado em uma ampla variedade de ambientes corrosivos. A seleção deve ser feita a partir da química e das condições reais de serviço.

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